No dia em que os gênios fizeram bobagem, um novo gênio aparece. No GP da Malásia, Jenson Button e Sebastian Vettel fizeram bobagens com a HRT de Narain Karthikeyan (que não teve culpa de nada, diga-se), enquanto que o mexicano Sergio Perez foi absolutamente fenomennal. A vitória foi de Fernando Alonso, mas o grande nome da prova foi Perez. Segundo colocado e quase vencedor, pois o piloto da Sauber foi o mais rápido da pista durante boa parte da corrida. Quando se preparava para ultrapassar Alonso e assumir a ponta a poucas voltas do fim, escapou da pista, mas conseguiu voltar para subir ao pódio.
A grande corrida de Perez em muito se deveu à estratégia. Enquanto a corrida começava com chuva e praticamente todos largavam com pneus intermediários (só a HRT arriscou chuva forte), a equipe chamou o mexicano para os boxes logo na primeira volta. Colocou pneus de chuva e foi escalando o pelotão. Quando todos pararam nos boxes, surgiu já em terceiro, ganhando seis posições com relação ao seu posto de largada. Valeu a pena. E era apenas o começo.
O GP foi interrompido pela chuva forte e foram necessários 50 minutos de espera para que fosse reiniciado. Com a pista secando, esperava-se que a vantagem da Sauber acabaria. Qual nada. Perez ainda ganhou uma posição quando a McLaren errou no pit stop de Lewis Hamilton, que caiu para terceiro ao voltar para pneus intermediários. Alonso virou líder e passou a ser perseguido pelo mexicano da Sauber, que foi encostando até que a Ferrari chamasse o líder da corrida para colocar pneus secos. Perez ficou uma volta a mais na pista e perdeu mais de seis segundos nesse momento, mas voltou a perseguir Alonso, chegando muito perto da ultrapassagem no finalzinho da corrida. Até que errou.
Pouco antes do incidente, Perez recebeu uma mensagem de seu engenheiro dizendo para ter cuidado, já que a equipe precisava daquela posição. Isso deu margem a teorias instantâneas de conspiração no Twitter, mas que me parecem um tanto infundadas. A Sauber é cliente de motores da Ferrari e muitos entendem que foi uma mensagem cifrada para ceder a posição. Uma bobagem. A Sauber queria, apenas, que o mexicano não corresse riscos desnecessários e não terminasse como Maldonado na Austrália semana passada. Simples assim. “Ultrapasse, mas tenha cautela”, era o recado. Menos, gente. Bem menos.
Mas, como bem mencionou o piloto João Paulo de Oliveira no Twitter, nunca se deve desconcentrar um piloto num momento como aquele. A mensagem de box pode, sim, ter afetado o desempenho do piloto, que errou. Mas daí a acreditar que tudo foi uma imensa farsa vai um oceano de distância.
A alegria genuína de Perez com o segundo lugar era a resposta a tudo isso. Um piloto jamais estaria assim tão feliz se tivesse sido “proibido” de vencer. No Twitter, dedicou o pódio a Frida, sua cachorrinha Sharpei que faleceu há poucos dias. Peter Sauber, no pit lane, estava em lágrimas. Um momento histórico para a Fórmula 1.
O mexicano foi o nome do dia, uma pena a vitória ter batido na trave, mas faz parte do processo de maturação de um grande piloto. Perez ainda vai longe na Fórmula 1 e, como brinquei no Twitter lembrando o jogo Super Monaco GP, quando parar nos boxes, vai receber a mensagem: “Firenze team wants you”. Depois do que fez hoje, Perez já tem vaga cativa na Ferrari. Só resta saber quando.
O mexicano foi o nome do dia, uma pena a vitória ter batido na trave, mas faz parte do processo de maturação de um grande piloto. Perez ainda vai longe na Fórmula 1 e, como brinquei no Twitter lembrando o jogo Super Monaco GP, quando parar nos boxes, vai receber a mensagem: “Firenze team wants you”. Depois do que fez hoje, Perez já tem vaga cativa na Ferrari. Só resta saber quando.