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terça-feira, 17 de abril de 2012

EL FODÓN



Flavio Gomes costuma chamar Fernando Alonso de “El Fodón de las Asturias”, e não vejo apelido mais adequado. O que fez o espanhol hoje com o limitadíssimo carro da Ferrari foi um daqueles momentos raros na história da Fórmula 1. Tudo bem que a chuva tende a embaralhar um pouco as coisas, mas o bicampeão mundial foi absolutamente perfeito em todas as condições. Fosse na chuva, na pista úmida ou na pista seca, Alonso fez com que a Ferrari parecesse um bom carro. Não é.

Na coletiva, foi absolutamente honesto: “Essa vitória não muda nada. Continuamos atrás e termos que lutar muito para irmos para o Q3 nas classificações”, observou. E durante a corrida isso ficou muito claro. Alonso conquistou a vitória durante o período em que a pista esteve de molhada para úmida, utilizando pneus intermediários. Aproveitou-se do acidente de Button com Karthikeyan, do erro da McLaren no pit stop de Hamilton, assumiu a ponta e conseguiu abrir ali uma sólida vantagem. Conforme a pista foi secando, perdeu terreno para Sauber e McLaren, mas a diferença já era boa o suficiente para tentar uma vitória.

A Sauber de Perez, no entanto, tinha mais ação e fatalmente venceria a prova, não fosse sua escapada. Alonso teve sorte, mas é a típica sorte dos vencedores. É preciso se colocar em posição favorável para colher bons frutos quando a sorte aparece. E foi exatamente o que Alonso fez. Não entrou em desespero com a pressão de Perez, manteve um ritmo de corrida consistente – ainda que mais lento – e assim estava em uma situação sólida para vencer. É assim que se faz.

Fernando Alonso é um ponto fora da curva e o que se viu hoje em Sepang foi a essência de um gênio das pistas. O carro pode ser uma porcaria, mas se o piloto é bom, coisas incríveis acontecem. E hoje aconteceu. Líder do campeonato com um carro que mal consegue se classificar entre os primeiros. Supera o início de campeonato de Ayrton Senna em 1993, em situação parecida. Lembrando que aquela McLaren do brasileiro era um belíssimo carro, tinha apenas era um motor muito fraco.

Alonso é piloto suficiente para superar as deficiências do carro. Não vai brigar pelo título, mas vai fazer o que se espera de alguém que recebe um grande salário: ser superior em qualquer circunstância. Tivesse a Ferrari dois Felipes Massa em seus cockpits, estaria zerada no campeonato. Alonso vale cada centavo investido nele. É o fodão.