Felipe Massa sempre recebeu da Ferrari um tratamento mais do que justo. A equipe confiou em seu potencial desde jovem, o apoiou nas categorias de base, na F1 deu a ele uma grande oportunidade ao lado de Michael Schumacher, e ele respondeu. Permaneceu na equipe com Kimi Raikkonen, brigou pelo título em duas temporadas, chegou muito perto na segunda, tornou-se um piloto de ponta, vencedor.
Em 2009, com um carro ruim, fazia uma temporada adequada ao nível do carro, até que sofreu aquele grave acidente em Hungaroring. Recuperou-se, a equipe continuou apostando nele, voltou a competir. Porém, nunca mais foi o mesmo. Não me arrisco a afirmar que foi por causa do acidente, do lado de fora é muito temerário afirmar isso. Prefiro ficar com a hipótese de que Felipe sentiu a pressão de ter a seu lado um piloto fora-de-série como Fernando Alonso.
Schumacher também é outro gênio, mas em 2006 estava no fim de seu contrato com a Ferrari. Como dizia-se na época, Schumacher era o presente, Felipe era o futuro. Com a chegada de Alonso no time, este futuro virou um presente amargo. E claramente ameaçado depois do fatídico “Fernando is faster than you” na Alemanha em 2010. Ali, precisamente, começou a espiral de declínio do piloto brasileiro.
Dali para frente Massa só fez dois pódios, todos em 2010, nunca mais andou na frente como um dia foi capaz. O carro da Ferrari também nunca mais foi bom como em outros anos, mas comparando seu desempenho com Alonso, a diferença é grande. O espanhol dá um jeito de estar sempre na frente e ganha uma coisa aqui e outra ali, enquanto Felipe luta para pontuar. E em 2012, de grande a diferença tornou-se gritante.
Fossem os maus resultados de Austrália e Malásia exceções, seria algo a relevar. O problema é que a Ferrari vem relevando performances ruins há muito tempo. E em crises assim, a situação acaba chegando em um ponto insustentável. No meu entender, este ponto chegou hoje em Sepang.
A equipe emitiu um recado claro quando deu a Felipe um chassi novo para competir na Malásia. O desempenho na Austrália foi ridículo, ele reclamou, a equipe entendeu que o carro era problemático e deu a ele um novinho em folha. Ele disse que o carro era melhor nos treinos, se classificou um pouco melhor, mas fez uma corrida patética, desastrosa, risível.
Alonso venceu com o mesmo carro, coisa de piloto de outro planeta. Mas Felipe tinha obrigação ser, pelo menos, sexto colocado. Foi 15º, o último da corrida, já que os carros de Caterham, Marussia e HRT não contam. Foi tão ruim ou pior que na Austrália. Se o problema não é o chassi, qual o problema então?
Não sei, mas é fato que Felipe já não tem mais espaço na Ferrari. E, enquanto ele luta contra problemas muito provavelmente psicológicos, Sergio Perez, um jovem apoiado pela Ferrari como Felipe já foi no passado, chega em segundo e quase ganha com uma Sauber.
Não será injustiça alguma se a Ferrari romper o contrato com Felipe e substituí-lo por Perez já na próxima corrida. Não há mais ambiente, as críticas na Itália são ferozes e, dessa vez, cobertas de razão. Felipe está destruído moralmente, é um rascunho do excelente piloto que um dia foi. Talvez, em outro ambiente, possa recuperar a confiança. Na Ferrari, com Alonso, isso será impossível.