Tudo bem, eu sei que essa Lotus não é aquela Lotus e tal. É um time meio esquizofrênico, que diz ser Lotus, é de propriedade de um grupo esquisito chamado Genii, tem raízes na Toleman e exibe em seu carro três estrelas pelos títulos de construtores da fábrica de Enstone (Benetton 1995, Renault 2005/2006). Mas o fato é que a equipe está inscrita como Lotus e, para todos os efeitos, é Lotus.
Então, sendo este time a Lotus, o GP do Bahrein hoje confirmou o renascimento do tradicional nome na Fórmula 1. Kimi Raikkonen foi segundo, Romain Grosjean terceiro, e foi a primeira vez em cerca de 24 anos que um piloto de um carro de nome Lotus subiu ao pódio. O último havia sido Nelson Piquet, terceiro no GP da Austrália de 1988. Além disso, a última vez que dois pilotos de uma equipe chamada Lotus haviam subido juntos ao pódio havia sido na Espanha, em 1979, quando Carlos Reutemann chegou em segundo e Mario Andretti, em terceiro, tal qual hoje em Sakhir. Curioso: nas duas situações, nenhuma das Lotus ostentava o preto e dourado que a atual equipe travestida diz se orgulhar. Em 1988, Piquet guiava o carro amarelo dos cigarros Camel. Em 1979, Reutemann e Andretti vestiam verde, o british green, com patrocínio da Martini.Uma bela máquina, aliás.
E foi por pouco que Kimi Raikkonen não venceu a corrida. Largou bem, saltando de 11º para 7º, mas se enrolou numa disputa com Nico Rosberg e acabou perdendo uma posição para Felipe Massa, numa bela ultrapassagem do brasileiro. Precisou remar para recuperar o posto e ali perdeu um tempo precioso. Kimi galgou mais posições, se deu bem por ter um jogo de pneus macios a mais que os demais e apareceu na segunda posição a partir da metade da prova. E, para surpresa geral, com o carro mais rápido de todos.
Calçado com pneus médios, pressionou o líder Vettel, que tinha macios desgastados, mas não conseguiu a ultrapassagem. Após o último pit stop, em igualdade pneumática de condições, não pôde mais exercer a mesma pressão. Ainda assim, chegou muito perto. Não tivesse perdido tempo atrás da Ferrari de Massa no começo da corrida, é provável que tivesse conseguido passar Vettel e a história seria diferente. Mas não foi.
Ainda assim, o resultado foi excepcional, principalmente pelo terceiro lugar de Romain Grosjean, o primeiro pódio francês na Fórmula 1 desde 1998, quando Jean Alesi foi também terceiro noBelgian Bowling F1 GP. Curioso: Grosjean é, na verdade, suíço, nascido em Genebra. Porém, como não há automobilismo na Suíça, corre como francês.
Saldo da história: um francês que não é francês sobe ao pódio com uma Lotus que não é Lotus numa corrida num país politicamente em frangalhos e que finge que está tudo bem. A F1 é, no fim das contas, uma grande farsa.