CURTA A VELOCIDADE VRUMMMM!!!!!

domingo, 22 de abril de 2012

COMEÇOU MORNO



Desde os tempos de Mario Andretti, Al Unser Jr, Emerson Fittipaldi, Nigel Mansell & cia que a Indy não me cativa. Comecei a acompanhar a categoria em 1988, a vi com regularidade até meados de 1995, depois o interesse foi diminuindo. Sei que houve bons campeonatos depois disso, mas por algum motivo os carrinhos do lado de cá do Atlântico não conseguem prender minha atenção. A cisão Cart x IRL enfraqueceu demais ambas as categorias, que viraram um arremedo de campeonato no começo dos anos 2000.

Sei que a situação vem melhorando e achei que, com os novos e belos carros e com uma cobertura mais intensa da televisão com a chegada de Rubens Barrichello, meu interesse fosse ficar renovado. Comecei a assistir o GP de São Petersburgo bem empolgado, mas não durou muito não. Em algumas voltas a Indy passou a ser, para mim, a mesma de sempre.

Tudo bem, é fato que a Indy melhorou bastante. Mas a corrida numa pista chata e ondulada, quase sem ultrapassagens e com alguns erros de organização que dão um ar quase amador à categoria me fazem desconfiar dela. Essa coisa de bandeiras amarelas longas quando qualquer carro para na pista para que um guincho possa rebocá-lo até os boxes é terrível. Pode ser bom para inserir breaks comerciais, mas é chato pra caramba. Quebra o ritmo, bagunça estratégias, transforma tudo em loteria. Além do mais, é dar muita chance aos pilotos. Morreu o carro? Então que fique pelo caminho. Absurdo, também, permitir que Katherine Legge entrasse na contramão do pit lane, para que não tivesse que dar uma volta inteira atrás do guincho. Gente, contramão nos boxes é muita várzea! Nisso, a categoria perde pontos.

Porém, ela também ganha pontos quando Helio Castroneves conquista uma vitória como a de hoje. Depois do fim da loteria de bandeiras amarelas e pit stops, viu-se na terceira posição e ultrapassou Scott Dixon e JR Hildebrand para assumir a ponta. O final foi bacana, mas a temperatura média da corrida não passou do morno. Com a água que a Indy ferve, não dá nem para fazer chimarrão.

Morna também foi a estreia de Rubens Barrichello. Por mais experiente que seja, é um estreante na categoria, sua equipe é média e isso deve ser levado em consideração. Porém, o 17º lugar foi um tanto abaixo do esperado. Ernesto Viso, um de seus companheiros, foi oitavo. Tony Kanaan era virtualmente o líder entre pit stops quando teve um problema de bateria que o forçou a abandonar. Dos três pilotos da KV, Barrichello foi o mais discreto.

A própria transmissão da TV Bandeirantes deixou clara uma certa decepção. No começo, só se via e só se falava em Rubens Barrichello. Com foco sobre ele durante o hino e preparação para a largada e cortes na transmissão oficial para inserção de câmeras exclusivas para mostrar seu desempenho na pista nas primeiras voltas, ainda que andando 13º lugar, parecia ser um dos protagonistas da corrida. Até que, com cerca de um terço de prova, a produção percebeu que daquele mato não sairia mais coelho e desviou os olhares. Era apenas citado, não havia mais análise detalhada sobre ele, nem mais imagens exclusivas. Foi perceptível: a Bandeirantes esperava mais dele.

Aliás, destaque positivo para a transmissão da Band hoje. Apesar de um primeiro corte absurdo para break comercial (entrou uma vinheta de entrada de transmissão de futebol, dando a impressão de que a Indy havia terminado), manteve a corrida no ar até a última volta, respeitando o telespectador. Outra demonstração de respeito foi a escala de Téo José para a narração, precisa e sem afetações, como deve ser.

Fiquei um pouco decepcionado com a Indy, mas é apenas a primeira de 16 corridas. Há todo um campeonato pela frente e, em pistas que permitam mais ultrapassagens, poderemos ter belos espetáculos. Vale a pena acompanhar.