Em uma entrevista ao jornal inglês The Times, Nelsinho disse que decidiu levar a armação ao conhecimento da FIA por causa da raiva que sentia por Briatore. "Se estou sendo honesto, acho que eu estava mais motivado por raiva contra o Briatore do que por um desejo de consciência limpa", disse o brasileiro, um dia após ter ganhado a ação de difamação contra a Renault.
Na época da denúncia, a equipe francesa disse que a família Piquet estava mentindo a respeito do acidente e foi condenada pela Justiça nesta terça-feira a pagar uma indenização a Nelsinho e também a Nelson Piquet, seu pai.
Durante a entrevista, Nelsinho revelou que fez o que fez por que queria se manter na categoria. "Eu estava tentando estabilizar a minha reputação na Fórmula 1 e ele (Briatore) sempre dizia que o meu destino estava nas minhas mãos. Fiz de tudo para agradá-lo, mas parecia que ele sempre só me criticava", disse o ressentido ex-piloto, que relatou os detalhes do fatídico acidente.
"Estava muito assustado, mal conseguia respirar. Gritava no rádio várias vezes, perguntado ‘em que volta estamos, em que volta estamos?'. Eles confirmaram qual era a volta e eu sabia o que tinha de fazer, embora não pudesse acreditar. Cheguei na curva 14 e pude sentir um aperto no estômago", contou Nelsinho.
"Estava incrivelmente assustado, foi como um sonho. Toquei a roda traseira no muro e então pisei no acelerador para bater na outra barreira. Não senti dor no impacto, mas a adrenalina estava pulsando. Me sentia no controle do carro durante a batida", revelou o ex-piloto, que reconhce que será difícil esquecer o que aconteceu.
"Olhando para trás, parece que foi em outra vida, mas eu sei que eu nunca vou escapar totalmente dessa sombra. Sou um homem mais forte hoje, e tenho certeza de que eu teria força para dizer não", concluiu.